Era um domingo…
em uma das visitas no Hospital Infantil. Estávamos nos preparando para iniciar a visita…. aquele momento onde se busca o estado de palhaço… a vitalidade, generosidade, alegria, a energia…. no contato, na conexão, no olhar… no outro e em si mesmo…. Formamos duplas… estava eu e Caculé. Iniciamos aquela visita tão animados, com aquela vontade de se conectar, de se encontrar… e aquela expectativa de como seria, o que poderia acontecer…
E assim… com toda essa energia, entramos no 1° quarto.
Encontramos uma menina… muito debilitada no leito… seu pai e outra acompanhante ao redor da cama.
( Neste quarto também havia outra paciente, estava no colo de sua mãe… Também um tanto debilitada…)
O pai da menina, afetado com nossa presença… começou a insistir para que a menina de alguma forma se comunicasse conosco…. Não tendo retorno, explicou que, devido seu estado de saúde complicado, ela tinha muita dificuldade pra falar….
Ficamos apenas ouvindo aquele pai desabafando a situação que sua filha vivia já há algum tempo….
Foi então, que decidimos nos conectar com ela… E apostamos num simples “Oi”
Olhamos pra ela… voltamos a atenção não para o problema.. mas para a pessoa… ela!
E insistimos no “Oi”… singelo… doce… verdadeiro e cheio de esperança…. sim, porque dei o “Oi” acreditando que realmente ela poderia me responder…
E de repente… percebi que ela respirou fundo… e buscou lá no fundo o ar que precisava… de forma lenta, mas intensa… E disse : “Oooooooooooooiiiii” !!!!!!
Sim… escrevi assim, pois foi bem assim que ela disse “Ooooooooooooiiii” !!!! Ficamos perplexos… Nós todos… a reação de surpresa e alegria tomou conta de todos….
Foi o “Oi” mais lindo que já ganhei!!!
Depois disso…. tentamos retribuir o “Oi” da menina… Ensaiamos… nos preparamos e com muita vontade… tentamos devolver o “OoooooOoooiiiioi” pra ela. ( Nesse momento, a outra menina que estava no colo da mãe, abriu um sorriso tão lindooo…. que também nos surpreendeu e nos afetou um tanto)
Aquele momento foi tão intenso, que afetou e reverberou em nós… e nos outros quartos…
Em reflexão sobre a visita, percebemos que de fato, a energia maior não estava em nós como estávamos pensando no início da visita…. Mas recebemos uma carga de energia com aquele “Ooiii” que aquela menina procurou e tirou fundo da alma, mesmo com poucas forças!
Não lembro o nome dela… mas não esqueço sua energia!
