Relato de Hospital #26

Era um domingo…

 

em uma das visitas no Hospital Infantil. Estávamos nos preparando para iniciar a visita…. aquele momento onde se busca o estado de palhaço… a vitalidade, generosidade, alegria, a energia…. no contato, na conexão, no olhar… no outro e em si mesmo…. Formamos duplas… estava eu e Caculé. Iniciamos aquela visita tão animados, com aquela vontade de se conectar, de se encontrar… e aquela expectativa de como seria, o que poderia acontecer…

 

E assim… com toda essa energia, entramos no 1° quarto.

 

Encontramos uma menina… muito debilitada no leito… seu pai e outra acompanhante ao redor da cama.

 

( Neste quarto também havia outra paciente, estava no colo de sua mãe… Também um tanto debilitada…)

 

O pai da menina, afetado com nossa presença… começou a insistir para que a menina de alguma forma se comunicasse conosco…. Não tendo retorno, explicou que, devido seu estado de saúde complicado, ela tinha muita dificuldade pra falar….

 

Ficamos apenas ouvindo aquele pai desabafando a situação que sua filha vivia já há algum tempo….

 

Foi então, que decidimos nos conectar com ela… E apostamos num simples “Oi”

 

Olhamos pra ela… voltamos a atenção não para o problema.. mas para a pessoa… ela!

 

E insistimos no “Oi”… singelo… doce… verdadeiro e cheio de esperança…. sim, porque dei o “Oi” acreditando que realmente ela poderia me responder…

 

E de repente… percebi que ela respirou fundo… e buscou lá no fundo o ar que precisava… de forma lenta, mas intensa… E disse : “Oooooooooooooiiiii” !!!!!!

 

Sim… escrevi assim, pois foi bem assim que ela disse “Ooooooooooooiiii” !!!! Ficamos perplexos… Nós todos… a reação de surpresa e alegria tomou conta de todos….

 

Foi o “Oi” mais lindo que já ganhei!!!

 

Depois disso…. tentamos retribuir o “Oi” da menina… Ensaiamos… nos preparamos e com muita vontade… tentamos devolver o “OoooooOoooiiiioi” pra ela. ( Nesse momento, a outra menina que estava no colo da mãe, abriu um sorriso tão lindooo…. que também nos surpreendeu e nos afetou um tanto)

 

Aquele momento foi tão intenso, que afetou e reverberou em nós… e nos outros quartos…

 

Em reflexão sobre a visita, percebemos que de fato, a energia maior não estava em nós como estávamos pensando no início da visita…. Mas recebemos uma carga de energia com aquele “Ooiii” que aquela menina procurou e tirou fundo da alma, mesmo com poucas forças!

 

Não lembro o nome dela… mas não esqueço sua energia!

 

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